Em meio a ataques e acusações entre refinarias, governo, distribuidoras e postos de combustíveis, a pergunta que se tenta responder é: Quem é o culpado pela alta dos preços do diesel em 2026?
Então nesse artigo, queremos te fazer pensar, e para isso não podemos simplesmente considerar o cenário atual, precisamos olhar para o passado e entender o padrão de comportamento de alguns agentes
1 – PETRÓLEO
Enquanto em 2026 vemos uma alta expressiva do petróleo de quase 50%, em 2025 tivemos um cenário totalmente oposto. No ano passado, a commodity Tipo BRENT recuou 22% fechando o ano valendo US$57,00/bpd.
2 – DIESEL S10 A (Produtores e Importadores) – ANP
Em um cenário de alta do petróleo estamos vendo os custos do Diesel A subirem de forma vertiginosa, e quando temos queda do petróleo também há o impacto de redução sobre os custos do Diesel A produzido por refinarias locais quanto pelos importadores.
Nesse sentido, a ANP publica de forma ponderada por regiões os custos de comercialização do Diesel A S10, seguindo a seguinte metodologia:
“A ANP divulga os preços médios ponderados semanais praticados pelos produtores e importadores de derivados de petróleo e biodiesel (B100), conforme a tabela abaixo. Com essa divulgação, a ANP está garantindo à sociedade o conhecimento dos preços médios praticados pelos agentes econômicos de todos os segmentos do mercado, reduzindo a assimetria de informações e contribuindo para a transparência das práticas comerciais e para o bom funcionamento do mercado.
A iniciativa está em consonância com os princípios da transparência ativa (quando a Administração Pública divulga informações à sociedade por iniciativa própria, de forma espontânea, independentemente de qualquer solicitação), previstos na Lei de Acesso à Informação.”
Conforme os dados da ANP, em 2025 com a queda do petróleo de 22% tivemos sobre o Diesel S10 A:
> Óleo Diesel A S-10 (R$/litro) O Diesel A (combustível fóssil puro, sem mistura) teve as maiores desvalorizações percentuais, chegando a quase 11% de queda na região Norte.
- Norte: -R$ 0,44 (-10,92%)
- Nordeste: -R$ 0,31 (-8,06%)
- Centro-Oeste: -R$ 0,28 (-7,05%)
- Sul: -R$ 0,27 (-6,82%)
- Sudeste: -R$ 0,19 (-4,86%)
- Média Brasil: -R$ 0,22 (-5,74%)
Estes dados da ANP consideram de forma ponderada o Diesel A S10 produzido e por refinarias nacionais, e também o Diesel A S10 importado por tradings e distribuidoras, e se referem aos preços comercializados para cada região de entrega.
3 – BIODIESEL (Produtores e Importadores) – ANP
Você já deve saber, mas não custa lembrar. Enquanto produto final de comercialização, o consumidor brasileiro só pode adquirir o Diesel S10 B, ou seja, o produto misturado de Diesel A + Biodiesel pelas distribuidoras.
Conforme os dados da ANP, em 2025 tivemos sobre o Biodiesel:
> Biodiesel B-100 (R$/litro) O Biodiesel apresentou quedas consistentes, com destaque para a região Sudeste, que registrou a maior retração percentual.
- Norte: -R$ 0,33 (-5,13%)
- Nordeste: -R$ 0,22 (-3,34%)
- Centro-Oeste: -R$ 0,18 (-3,00%)
- Sul: -R$ 0,30 (-4,97%)
- Sudeste: -R$ 0,39 (-6,25%)
- Média Brasil: -R$ 0,29 (-4,69%)
Estes dados da ANP consideram de forma ponderada o biodiesel comercializado pelas usinas produtoras em cada região de destino do país.
4 – Óleo Diesel B S10 (Distribuidoras) – ANP
Bom é importante mais uma vez te lembrar, o agente do mercado de combustíveis que possui autorização para adquirir Diesel A, Biodiesel, Misturar e conceber o Diesel B são as distribuidoras.
Sendo assim, a ANP mantém também pesquisa e controle sobre os preços de comercialização destes agentes de forma semanal e mensal
Conforme os dados da ANP, em 2025 tivemos sobre o Diesel S10 B comercializado pelas distribuidoras:
> Óleo Diesel B S-10 – Distribuidoras (R$/litro) O Diesel B, que é o produto final (mistura do Diesel A com Biodiesel vendido pelas distribuidoras), apresentou uma queda menor em relação aos seus componentes puros.
- Norte: -R$ 0,13 (-2,32%)
- Nordeste: -R$ 0,17 (-2,98%)
- Centro-Oeste: -R$ 0,09 (-1,62%)
- Sul: -R$ 0,14 (-2,58%)
- Sudeste: -R$ 0,11 (-2,08%)
- Média Brasil: -R$ 0,13 (-2,32%)
Estes dados da ANP consideram de forma ponderada Óleo Diesel S10 B comercializado ao mercado consumidor de combustíveis no Brasil, B2B e B2C
5 – Você percebeu algum problema?
Engraçado não? Assim como vemos uma elevação absurda dos preços do diesel B em postos revendedores e empresas consumidoras esse ano de 2026 com a crise do Estreito de Ormuz, o padrão também se repetiu em 2025 em um cenário de queda das cotações do petróleo.
Resumindo, quando o petróleo sobe, sim, temos um valor de impacto sobre o Diesel A que está sendo repassado por refinarias e importadoras, mas no Diesel B o impacto é muito maior. Quando é o oposto, quando o petróleo reduz, sim, também temos um valor de impacto sobre o Diesel A repassado pelas refinarias e importadoras, mas o impacto sobre Diesel B é muito menor.
Se considerarmos os fatores de mistura 85% Diesel A + 15% Biodiesel e mais o aumento de ICMS de Fev/25 de +0,0565/L, em 2025, deveríamos ter sobre o Diesel B:
Diesel A Brasil (85%) = R$ -0,2200/L x 85% = R$ -0,1870/L
Biodiesel Brasil (15%) = R$ -0,2900/L x 15% = R$ -0,0435/L
ICMS Brasil = R$ +0,0565/L
TOTAL Diesel B Média Brasil = R$ -0,1740/L
No entanto, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis apontam, a queda de custo repassada sobre os preços do Diesel B foi de apenas R$ 0,13/L na média Brasil.
Voce percebeu onde está o problema dos preços dos combustíveis?
Qual agente do mercado adquiri Diesel A de Refinarias e Importadores?
Qual agente do mercado adquiri Biodiesel de Usinas Produtoras?
Qual agente do mercado é responsável pela mistura Diesel A + Biodiesel?
Qual agente do mercado comercializa o Diesel B?
Qual agente do mercado corta o seu pedido de Diesel B?
Qual agente do mercado sobretaxa aumentos, justificando ser aumento do Diesel importado?
Qual agente do mercado em 2025, se quer comentou com você sobre a queda do Diesel Importado?
Em quais agentes do mercado a margem EBTDA em 2025 subiu 6% em relação a 2024?
Essa é a reflexão que você precisa ter, a culpa não é do posto revendedor ou da transportadora logística que precisa agora rever seus fretes, estes simplesmente são reféns de interesses de um oligopólio dos combustíveis que existe no Brasil.
Por: Bruno Valêncio • Founder