O CNPE na última terça feira 18/02, adiou sem nova data a implementação do B15 que a alteração da mistura atual de biodiesel de 14% para 15%. Mas, o que motivou esse adiamento?
1 – POLÍTICA e INFLAÇÃO
Obviamente o cenário inflacionário no Brasil está destruindo a imagem do governo em exercício, e como os combustíveis são uma parcela muito importante no peso da inflação no país, o governo optou por não gerar mais acontecimentos que se refletem em aumento nos preços finais dos combustíveis.
Esse seria o efeito da alteração da mistura do biodiesel em 1%, aumentaria o custo no preço final do Diesel em torno de R$0,02/L a R$0,03/L a depender da região, se repassado corretamente pela distribuidora, o que geralmente não ocorre.
Também haveria um impacto da elevação da demanda sobre os custos do biodiesel com tendência de alta. Em Mar/24 quando houve o aumento da mistura para 14%, o custo do biodiesel fornecido pelas usinas às distribuidoras subiu 10,55%, e no ano de 2024 o aumento do custo do insumo foi de 45% colabora obviamente pelo aumento das cotações do óleo de soja e do câmbio.
Então o governo, contratou uma crítica com o agronegócio e o setor de biocombustíveis para amenizar a crise inflacionária que na verdade é gerada pela conduta econômica do governo, ou seja, a narrativa de que precisamos descarbonizar o meio ambiente para combater a crise climática, me parece que depende, e depende do interesse político, das reeleições, da imagem e etc…. Pense nisso!!!
2 – ILEGALIDADES DE MISTURA
O setor de distribuição, mais especificamente o “big three” que responde por 60% da distribuição do mercado, veio a público denunciar problemas concorrenciais onde outras distribuidoras no mercado estaria vendendo Diesel B com mistura menor que a obrigatória, ganhando assim um spread relevante de condição comercial, vendendo um diesel de melhor qualidade, mas descumprindo uma lei, ou seja, deslealmente concorrendo no mercado.
O interessante é que a solução que a distribuição pleiteava junto a ANP, não era simplesmente aumentar a fiscalização por parte do governo contra estas empresas que estão descumprindo a regulação, mas sim o interesse da distribuição era que a ANP aprovasse uma redução ou até isenção da obrigatoriedade da mistura de biodiesel sobre o diesel final
Mais uma vez, isso nos leva a pensar: “Se o biodiesel é uma solução de descarbonização para o diesel, porque a política e os setores não parecem se empolgarem com ele?”
A verdade é que tudo depende de viabilidade, e no caso do biodiesel tem a ver com viabilidade econômica e política. É fato que produzir biodiesel é algo custoso, depende em 75% da safra da soja, ou seja, sofre impactos de demanda e oferta a depender da qualidade da safra.
A logística é complexa, prioritariamente feita por caminhões, e é de plena responsabilidade da distribuição bem como a mistura do Diesel A + Biodiesel para formulação do Diesel B, exigindo da distribuidora um controle completo dos processos logísticos para poder atender a regulação e o mercado.
E por fim, o biodiesel sobre o espectro da qualidade, infelizmente não colabora para a qualidade do combustível, gerando problemas de manutenção de equipamentos para postos revendedores e consumidores.
A verdade é que da cadeia de distribuição em diante, essa notícia, por mais que tenha um interesse político econômico, foi de grande alívio.
Por: Bruno Valêncio • Founder
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