Em nosso último blog abordamos a importância do controle, dos dados, da gestão econômica assertiva dos assuntos relacionados aos combustíveis, e isso se torna muito mais necessário em períodos de crise como o que vivemos com o conflito EUA x Irã e os impactos sobre o petróleo e os derivados.
No mercado atual, a falta da gestão correta do Cost Breakdown dos preços dos combustíveis, abre uma avenida de vulnerabilidade para o seu negócio e empresa, isso porque os fornecedores de combustíveis para o consumidor final são as distribuidoras.
No que cerne às empresas o fornecimento é direto, e para o cidadão a distribuição ocorre para os postos revendedores.
Às distribuidoras possuem na cadeia dos combustíveis uma função logística, ou seja, elas negociam a compra dos derivados e dos biocombustíveis puro junto às refinarias e usinas, complementam isso através de importação, realizam a mistura regulatória do produto fóssil com o biocombustível em suas estruturas na hora do carregamento dos caminhões tanques, e comercializam o produto Tipo B como exemplo o Diesel B S10.
Fica claro, que a distribuidora não tem função produtiva de derivados do petróleo.
Com a guerra EUA x Irã as cotações do petróleo saltaram mais de 30% em apenas uma semana, ultrapassando a barreira psicológica dos US$ 100,00/bpd, e junto com a volatilidade do mercado da commodity os custos dos derivados também dispararam, como no caso do Diesel A S10 Importado o salto em uma semana foi de +38,50%, e é óbvio que se você é uma distribuidora e precisa importar Diesel o impacto de custo vai acontecer e deve ser repassado aos clientes.
1 – Como Funciona a Importação de Diesel
O Brasil não é dependente completamente ou 100% de importação de Diesel A, atualmente a necessidade de importação do Diesel A S10 é de quase 30%, e conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) temos:

O Brasil em 2025 importou 27,35% da demanda nacional de Diesel A S10, a Petrobras respondeu por 47,7% disso, ou seja, 13,05% e as tradings e distribuidoras responderam com 52,3% disso, ou seja, 14,30%.
Então aqui chegamos na primeira comprovação, as distribuidoras importam apenas 14,30% daquilo que o Brasil importa de Diesel A S10, isso é fato, e constatado pelo governo federal.
2 – A Fungibilidade e Blend de Diesel A nas distribuidoras
Para a ANP não existe diferença de produto entre Diesel A Nacional x Importado, isso porque pelo conceito da fungibilidade não tem como separar o que é uma coisa e outra, o que deve ser garantido são as características físico químicas e de qualidade do produto, e assim o Diesel A está apto para comercialização no Brasil.
Isso quer dizer que quando a distribuidora importa Diesel A, ela mistura tudo isso em sua estrutura de tancagem em suas bases, como por exemplo em Paulínia/SP e assim se forma o blend do Diesel A (Diesel A Nacional + Diesel A Importado).
Portanto, você querendo ou não, sim consome diesel importado;
Se a importação de Diesel A médio das distribuidoras é de 14,30%, a diferença disso é composta por produto de origem nacional, ou seja, 85,70% é composto pelo bombeio da Petrobras ou de uma refinaria privada.
Utilizando Paulínia/SP, veja como seria a exemplificação da composição do blend em em um tanque:

3 – Blend de Custos e Variações
Como explicado, o blend de Diesel A serve tanto no conceito físico, como para o cálculo financeiro de composição dos preços, e seguimos em Paulínia/SP:
No dia 02/03, tínhamos:
- Diesel A Petrobras (EXA) = R$ 3,3026/L
- Diesel A Importado – Referência ANP = R$ 3,5314/L
- Blend Diesel A em 02/03 = (3,3026 x 85,70%) + (3,5314 x 14,30%)
- Custo Blend Diesel A em 02/03 = 2,8303 + 0,5049 = R$ 3,3352/L
Depois de uma semana de conflitos, tivemos grandes impactos, médio Brasil de +32% nos preços do Diesel conforme dados da ANP, e mais específico em Paulínia/SP esse impacto foi de 33,13%:

Segundo a ANP, o relatório de Preços de Paridade de Importação: “apresenta a média semanal dos preços de paridade de importação (PPI)¹ estimados pela S&P Global Commodity Insights para gasolina, diesel, querosene de aviação (QAV) e GLP em diferentes pontos de entrega.
A iniciativa de compartilhar esses dados faz parte do processo de aumento da transparência na formação e divulgação de preços conduzido pela ANP, de modo a facilitar o acompanhamento e compreensão da variação dos preços dos combustíveis por parte da sociedade.
Para a gasolina, diesel e QAV são divulgados os preços de paridade de importação nos portos de Itaqui (MA), Suape (PE), Aratu (BA), Santos (SP), Paranaguá (PR), Manaus (AM) e Tramandaí (RS), considerando o valor do produto, as taxas e os custos de frete, movimentação, armazenamento e serviços associados.
Adicionalmente, são divulgados os preços nos pontos de entrega de Guamaré (RN), Duque de Caxias (RJ), Betim (MG), Cubatão (SP), Mauá (SP), Paulínia (SP), São José dos Campos (SP), Araucária (PR) e Canoas (RS), nos quais também incluem-se os custos de frete rodoviário.
Os preços do GLP referem-se à PPI nos portos de Suape (PE) e Santos (SP), considerando a composição de 70% de propano e 30% de butano.
Todos os preços divulgados não incluem tributos.”
Portanto, os dados da ANP possuem uma metodologia muito consistente, e em uma primeira análise simplória, você vai se assustar com o aumento do Diesel A Importado em Paulínia que da semana de 02/03 para a semana de 09/03 subiu incríveis R$ +1,1700/L, saindo de R$ 3,5314/L para R$ 4,7014/L.
É aqui que a lógica da fungibilidade e do Blend precisa ser colocada em prática, veja, por mais que o preço cheio do Diesel Importado subiu R$ 1,17/L a distribuidora só importa 14,30% deste produto para compor o seu blend de estoque de Diesel A. Portanto, o impacto final de estoque é diluído pelo custo do Diesel A Nacional que ainda não foi reajustado pela Petrobras, segue abaixo:
No dia 09/03, temos:
- Diesel A Petrobras (EXA) = R$ 3,3026/L
- Diesel A Importado – Referência ANP = R$ 4,7014/L
- Blend Diesel A em 09/03 = (3,3026 x 85,70%) + (4,7014 x 14,30%)
Custo Blend Diesel A em 09/03 = 2,8303 + 0,6723 = R$ 3,5026/L
Portanto, conforme dados da ANP o custo do Diesel A na semana de 09/03 aumentou com o impacto do conflito EUA x Irã até 09/03 somente R$ 0,1674/L.
3 – Mistura com Biodiesel
Não custa lembrar, mas você empresa ou posto de combustível compra Diesel B das distribuidoras, que é a mistura de Diesel A (85%) + Biodiesel (15%). Se o impacto conforme mostramos acima do custo do Diesel A com o blend de importação apontados pela ANP foi de R$ +0,1674/L no estoque de Diesel A, o valor que deve ser repassado ao custo do combustível final que você compra, ou seja, o Diesel B S10, será de 85% dessa variação o que resulta em aumento R$ +0,1422/L.
4 – Esse é o valor correto
Esse é o valor final de impacto da guerra EUA x Irã e da volatilidade do petróleo e dos derivados na semana de 02/03 a 06/03, na base de Paulínia/SP, sobre o Diesel B S10, exatos R$ +0,1422/L, conforme os dados oficiais da Petrobras e da ANP apontam.
Enquanto isso, vimos desde o dia 02/03, várias distribuidora repassando aumento de R$ 0,30/L, R$ 0,40/L, R$ 0,60 para o mercado e mais:
- Sem que a Petrobras tenha reajustado;
- Aumento divergentes nas localidades que são supridas por refinarias privadas;
- Sem que tenham adquirido o diesel importado nessa última semana, o que é óbvio porque ninguém vai comprar diesel importado R$ 2,00/Litro mais caro que o da Petrobras;
- Aplicando aumento de custo sobre o Diesel B S500;
- Restringindo produtos, para não comprar diesel importado;
A revenda brasileira, e aqui com muito respeito, por vários anos assinaram contratos sem cláusulas paramétricas de preços, como se ainda vivêssemos nos tempos áureos de tabelamento governamental de preços, disponibilizando ao setor de distribuição um “cheque em branco” para que elas, contratualmente, possam fazer o que quiserem com o preço de compra dos postos, que por óbvio são obrigados a repassar para o cliente final uma conta que eles não conseguem explicar, pois não tem explicação.
Muitas empresas consumidoras, entendem que o diesel tem que ser cotado o tempo todo, em cada compra, como se o Brasil tivesse condição superavitária de oferta de combustíveis para viver na especulação para sempre.
Bom, é nesse momento de crise que a falta de gestão correta do pricing dos combustíveis cobra o seu preço, é irônico, porque todo o trabalho de controle de telemetria, economia de consumo, redução de carga de trabalho, revisão tributária, será perdido em um reajuste de preço como para o segmento de transporte de carga, em pleno início de safra.
Cuidar e entender a formação dos preços dos combustíveis é essencial, sempre afirmamos isso, saber negociar e entender a estrutura de custo destes produtos na refinaria, na distribuidora e nos postos de combustíveis é básico para entender o nosso mercado atual, pois você está negociando um insumo muito caro, com empresas muito grandes, que se utilizam do conflito, da narrativa, para aumentarem de forma muito proveitosa seus lucros, protegendo seus caixas e resultados em detrimento do consumidor.
A VPricing Combustíveis é a empresa de solução tecnológica preparada para te ajudar a controlar e mudar a forma como você atualmente compra combustíveis, se blindando principalmente nesse momento de conflito EUA x Irã contra aumentos abusivos de custos e narrativas perniciosas da distribuição.
Por: Bruno Valêncio • Founder