O ano de 2025 foi marcado por diversos eventos que impactaram diretamente o dia a dia de quem opera no mercado de combustíveis nacional, como alteração de impostos, mudanças de misturas regulatórias, reajustes de preços nas refinarias, dentre outros fatores.
Segue um resumo detalhado mês a mês com os principais eventos ocorridos e seus respectivos impactos.:
Janeiro/25
O dólar foi um dos principais assuntos, chegando a bater recordes de cotação, e claro impactando diretamente no custo das importações. A Petrobras chegou a ficar defasada no diesel, em meados de janeiro, cerca de 16%. Enquanto para os biocombustíveis vimos um recuo dos preços do biodiesel.


Fevereiro/25
O início de fevereiro foi marcado pela entrada das novas alíquotas do ICMS monofásico do diesel e da gasolina, que passaram a ser de R$ 1,4700/L na gasolina e R$ 1,1200/L no diesel, gerando um impacto de alta de R$ 0,0979/L e R$ 0,0565/L, respectivamente.
Apesar do dólar ter continuado em patamares elevados, porém menor do que em janeiro, o petróleo recuou ao longo do mês ajudando a reduzir a defasagem da Petrobras, com isso o diesel importado recuou. Enquanto o B100 andou de lado ao longo do mês.


Março/25
A guerra da Ucrânia x Rússia completa 3 anos, e as sanções contra Rússia permanecem, e com o aumento das tensões o petróleo ganha força ao longo do mês, porém começamos a ver um recuo dos preços do diesel importado, e o dólar iniciando uma trajetória de queda, ajudando o cenário a se inverter, onde Petrobras começa a ficar com o diesel acima do mercado internacional.
É aprovado projeto de lei combustível do futuro, que altera misturas nos combustíveis e estabelece metas para utilização de combustíveis mais sustentáveis.


Abril/25
Início do mês mercado pelo primeiro reajuste da Petrobras no ano de 2025, onde a estatal reduziu o diesel nas refinarias em R$0,17/L, já no primeiro dia do mês.Vimos também o barril despencar 16%, com o prolongamento do aumento de produção de petróleo por parte da OPEP+, com isso a Petrobras reduz o diesel pela segunda vez, dentro do mês, uma queda de R$0,12/L.


Maio/25
Um passo importante foi dado no início do mês, entrou em vigor a monofasia do PIS/COFINS do etanol, trazendo impacto tanto para o hidratado quanto para o anidro.

Tal alteração fez com que o etanol hidratado recuasse R$0,0496/L, e o anidro, impactasse a gasolina em uma alta de R$0,0166/L, considerando a mistura de 27% à época.
A Petrobrás ainda continua com seus preços acima do mercado internacional, e novamente se vê obrigada a reduzir o diesel nas refinarias em R$0,1600/L.


Junho/25
O mês de junho inicia com uma nova redução da Petrobras, porém diferente dos outros reajustes, a bola da vez foi a gasolina, que caiu R$0,1700/L.
O mês também é marcado pelo aumento das tensões no Oriente Médio, com ataques de Israel contra instalações iranianas, aumentando o risco de fechamento do estreito de Ormuz fazendo com que o barril disparasse no mercado chegando a subir 11% no seu pico de alta.
E essa alta na commodity trouxe impactos para o diesel importado.
Também houve a definição por parte do CNPE, com relação ao novo aumento da mistura de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, que passaram a ser de 30% e 15%, respectivamente.


Julho/25
Julho foi um mês que ficou marcado pela elevação de praticamente todos os índices que impactam diretamente os custos dos combustíveis, petróleo subiu mais de 7%, dólar aproximadamente 3%, e a defasagem da Petrobras aumentou no diesel, chegando a ficar abaixo do mercado internacional 12%.
A elevação impactou o diesel importado e também o custo do biodiesel.


Agosto/25
O mês marca o início das novas misturas dos biocombustíveis na gasolina e do diesel comercializados no país, a gasolina passou de deter 30% de etanol e o diesel 15% de biodiesel.
O barril de petróleo recuou cerca de 6,5% e o dólar pouco mais de 3%, trazendo a paridade da Petrobras para um cenário mais confortável, deixando seu custo similar ao do produto importado.
Com o recuo do barril, o diesel importado que entrou no país caiu, e com o final da safra da soja, vimos uma recuperação do preço do biodiesel.


Setembro/25
Setembro foi um mês onde o barril andou de lado, e vimos um recuo do dólar em nosso mercado.
O diesel importado sofreu pouca variação, porém o biodiesel ainda mostrou força em seus preços.


Outubro/25
Mesmo com o aumento das sanções americanas contra exportadores russos, o barril caiu no acumulado do mês, influenciado pelo excesso de oferta de petróleo no mundo.
Em nosso mercado isso trouxe queda no diesel importado, e o biodiesel mostrou sinais de estabilidade no mês.


Novembro/25
O penúltimo mês do ano mostrou muita instabilidade nos preços dos derivados de petróleo no mercado internacional, enquanto barril caia, o custo do diesel na costa do Golfo disparava, cenário esse marcado pelo início do período de inverno no hemisfério norte. Enquanto o barril chegou a cair 4%, o diesel subiu 16% em seu pico. Apesar da oferta de petróleo para o mundo ser maior do que o consumo, o mesmo não acontece com o derivado, que teve uma demanda maior do que a oferta.


Dezembro/25
Chegamos ao último mês do ano, com perspectiva de queda, principalmente para o diesel importado. O barril vem caindo nos últimos dias no mercado, com o excesso de oferta de petróleo para o mundo, as perspectivas mostram que a OPEP+ deve manter o mesmo ritmo de produção, com oferta acima da demanda.
Até o momento o barril tem uma queda acumulada de 3%, e vemos a Petrobras ficar com seu custo acima do mercado internacional, tanto para diesel quanto para gasolina, mostrando uma disparidade de 7% e 10,5% respectivamente.
E dezembro marca também o último mês com os atuais valores do ICMS da gasolina e diesel, que já tem confirmado novos valores a partir do dia 01 de janeiro, onde o diesel sofrerá um aumento de R$0,05/L e a gasolina R$0,10/L.
Essa alta acende um alerta, principalmente para os compradores de combustíveis, pois é comum vermos nesse cenário, possíveis restrições de produto por parte das distribuidoras, para poderem passar a virada do ano com seus estoques cheios.
O ano de 2025 foi marcado por uma intensificação das operações da Polícia Federal e órgãos parceiros (como Receita Federal e Ministérios Públicos) contra o crime organizado no setor de combustíveis, com foco em sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração.
As operações Carbono Oculto e Poço de Lobato, atingiram o mercado irregular em cheio, apontando valores vultosos, de movimentação financeira e sonegação fiscal, tendo como alvo o PCC e o Grupo Refit.
Essas operações podem ter ainda vários desdobramentos, devido a complexidade da atuação desses grupos, muito água ainda vai passar por debaixo da ponte, e em 2026 estaremos aqui para acompanhar todos os impactos no mercado, desde as variações que impactam os custos de aquisição, e também como os órgãos fiscalizadores se portarão em relação às novas operações contra o mercado irregular.
Por: Murilo Barco • Diretor Comercial