Desde a desvinculação da Petrobras do segmento de distribuição de combustíveis líquidos e gasosos, com a alienação da BR Distribuidora (atual Vibra) e da Liquigás, a atual administração da empresa, impulsionada pelo governo vigente, retoma o tema com maior intensidade.
A Petrobras tem se preparado estrategicamente para retornar a esses segmentos, com o objetivo de capturar margens desses produtos, cuja oferta, segundo a CEO da empresa, apresentará crescimento nos próximos anos devido aos investimentos realizados. (link notícia).
De acordo com a executiva da empresa, não há projetos de aquisição de empresas já estabelecidas no setor, e é imperativo respeitar a cláusula de não competição firmada com a Vibra durante sua venda, período que se encerra em 2029. O foco primordial neste momento seria o retorno ao segmento de GLP, com ênfase nos grandes consumidores. A presidente da estatal tem sido enfática ao apontar o aumento expressivo das margens de lucro no setor como um dos principais atrativos.
Além da captura de valor, o retorno da Petrobras à distribuição, especialmente no segmento de GLP, é visto pela gestão da empresa como uma forma de “disciplinar” o mercado, buscando maior equilíbrio e, potencialmente, preços mais competitivos para o consumidor final.
O caminho de volta, entretanto, apresenta desafios. Um dos principais obstáculos é a cláusula de não concorrência firmada com a Vibra no momento da privatização da BR Distribuidora. Embora os detalhes do acordo não sejam totalmente públicos, sabe-se que ele impõe limitações à atuação da Petrobras no setor de distribuição de combustíveis. A estatal, contudo, já sinalizou que não pretende renovar o contrato de licenciamento da marca com a Vibra.
A companhia já anunciou que atuará na venda direta de combustíveis para grandes consumidores, como empresas do agronegócio, contornando a necessidade de uma rede de postos de serviço em um primeiro momento.
Contudo, o anúncio da retomada da empresa para o segmento é visto como um retrocesso, pois o setor de distribuição possui margens baixas em comparação com o core principal da empresa, que é a exploração.
Por outro lado, há quem veja a movimentação da Petrobras como benéfica para o mercado. A possibilidade de aumento da concorrência pode levar a uma redução das margens de lucro das distribuidoras e, consequentemente, a preços mais baixos para os consumidores. Além disso, a presença de um player do porte da Petrobras poderia inibir práticas anticompetitivas e trazer maior dinamismo ao setor.
O impacto para as concorrentes ainda é incerto, mas a perspectiva de uma maior competição já acende um alerta no mercado. A concretização dos planos da Petrobras dependerá de sua habilidade em superar as barreiras contratuais e regulatórias, bem como de sua capacidade de investimento para reconstruir sua presença no setor de distribuição de combustíveis. A nova gestão, sob o comando de Magda Chambriard, parece determinada a seguir adiante, de olho nas promissoras margens de lucro que o segmento oferece.
Por: Bruno Valêncio • Founder