Você deve estar acompanhando no seu dia a dia o desenrolar das ameaças tarifárias dos EUA sobre o Brasil, algo que foi anunciado embasado em premissas ideológicas, mas que mira conflitos geopolíticos com impactos sobre o principal combustível comercializado no Brasil, o Diesel S10.
> O 1º ANÚNCIO
Quando houve o anúncio com a imposição de 50% de tarifas sobre a importação de produtos brasileiros pelos EUA a partir de Ago/25, tínhamos um cenário de discórdia e confusão, já que o embasamento dessa atitude não encontra guarida econômica. Obviamente, o impacto sobre os setores produtivos do Brasil é gigantesco, pois essas tarifas encarecem o nosso produto e inviabilizam o comércio com o maior consumidor mundial.
Olhando para o petróleo e os combustíveis brasileiros, os maiores prejudicados seriam a Petrobras e as Refinarias Privadas, que obviamente precisariam mudar o foco de exportação dos seus produtos para os países asiáticos e árabes como forma de tentar “substituir” o mercado americano, algo impossível.
Veja, até aqui olhando para o consumidor nacional, as tarifas entre EUA x Brasil não geram um impacto sobre os combustíveis em nosso mercado, somente para o consumidor americano que pode ser impactado por importar petróleo taxado e mais caro do Brasil, algo que eles não irão realizar.
> O 2º ANÚNCIO
Como nada é simples com o governo Trump, na última segunda-feira 14/07 houve anúncio de tarifas para a Rússia de 100% caso não entre em acordo com a Ucrânia para encerrar a guerra entre os países, e adicionalmente tarifas de até 500% aos países que comprarem energia do país Russo, citando China, Índia e Brasil.
O objetivo dos EUA aparentemente é pressionar o BRICS para que incentive a Rússia a encerrar a guerra.
> O PROBLEMA
Amigo(a), é simples o Brasil importa 30% Diesel A, simplesmente porque não temos capacidade industrial de refinar o petróleo do qual somos auto suficientes.
Dos 30% importados, 61% em média foram importados da Rússia em 2025, 24% dos EUA e os outros 15% dos países dos Emirados Árabes e Ásia, em suma conforme dados do governo federal.
> PORQUE IMPORTAMOS DA RÚSSIA
O Brasil importa da Rússia porque é um parceiro comercial via BRICS, e os Russos sofrem sanções econômicas por causa da guerra, e para manter a economia viva de alguma forma promove um desconto de custo sobre o petróleo e os derivados produzidos.
Isso trouxe uma vantagem comercial para a Rússia estimada em R$ 0,20/L na banda máxima principalmente no período em que tivemo petróleo na casa dos US$ 80,00/bpd a US$ 90,00/bpd, ou seja, o Diesel A Russo foi em média de R$ 0,15/L a R$ 0,20/L mais barato que dos EUA como a exemplo no segundo semestre de 2024.
> EU NUNCA COMPREI DIESEL RUSSO
A verdade é que “você acha” que não compra Diesel Importado, porque via de regra a Petrobras, os importadores e distribuição até então utilizaram o país Russo como fonte de suprimento deste combustível, e surfaram muito bem sobre o benefício comercial de importar Diesel da Rússia mais barato, vendendo internamente à preço nacional promovendo ganhos operacionais em seus negócios, mas sem repassar o benefício de custo para o mercado.
Resumindo, você pode estar hoje mesmo utilizando ou comercializando Diesel Russo importado, adquirido pelo seu fornecedor a custos mais baixos, mas comercializado por preços como se fosse produto produzido no mercado nacional.
O objetivo da taxação recíproca americana sobre os países que comprarem energia Russa, nasce do fundamento óbvio de que ao realizar negociações comerciais deste produto com o país Russo, indiretamente, você pode estar financiando a economia e os objetivos de guerra do país.
> E AGORA?
Hoje em específico, podemos dizer que não está compensando importar o Diesel, nem mesmo o produto Russo, e com o aumento da mistura de Biodiesel para 15% em Ago/25 essa dependência será um pouco menor.
Hoje o Diesel A da Petrobras está em média 10% mais barato que o produto oriundo do mercado americano, e 3% mais barato que o mercado Russo.
Como há uma pressão dos EUA sobre o governo brasileiro, poderemos ver a ANP não autorizando licenças de importações de combustíveis russos, o que elevará a importação dos EUA e é por isso que não há espaço ou condições para o governo federal aplicar a Lei de Reciprocidade, porque se assim o fizer o produto importado dos EUA ficará 50% mais caro para o consumidor brasileiro, é uma negociação difícil que o Brasil precisa fazer com os americanos.
A verdade é que possivelmente o Balé Russo de Aquisição de Diesel Importado pode terminar, se a Rússia não atender aos pleitos dos EUA.
O Brasil não tem para onde fugir, é um dependente da importação de Diesel por culpa própria de ineficiência estrutural e falta de investimentos, e nos parece que ao longo do governo Trump nossas fraquezas como país estarão cada vez mais expostas.
Por: Bruno Valêncio • Founder