Desde o último reajuste da Petrobras em 01/Fev, havia uma grande expectativa de como a empresa se comportaria no mercado, visto que quando a sua política de preços foi alterada visando não acompanhar única e exclusivamente o PPI, e também não ficar repassando volatilidade ao mercado interno por conta de oscilações de barril e dólar.
Porém ao longo dos meses de Fev/25 vimos um cenário de volatilidade da paridade menos intenso, visto que o dólar praticamente se manteve estável e o barril teve uma pequena queda.
Quando entramos no mês de Mar/25, vimos um cenário completamente diferente com o barril atingindo a mínima de US$ 70,82, fazendo com o que o preço da Petrobras chegasse a ficar mais caro do que o produto importado cerca de R$ 0,40/L, conforme vemos no gráfico abaixo:

Isso fez com que o governo, através de seu ministro de Minas e Energia, começasse a pressionar a Petrobras para que ela reduzisse o preço do diesel nas refinarias, visto que a inflação em Fev/25 havia disparado, sendo a maior dos últimos 22 anos na série histórica. Com a elevação da taxa Selic, elevando ainda mais o custo do dinheiro do mercado, uma redução seria bem-vinda, já que a imagem do atual governo não é das melhores.
Mas se a Petrobras deixou de seguir PPI e não irá ficar repassando volatilidade ao mercado, porque realizar um repasse em um intervalo curto de tempo em relação ao último reajuste aplicado, visto que no ano de 2024 não houve nenhum reajuste do diesel nas refinarias da empresa?
Podemos ver que não é bem assim, existe todo um interesse político, uma vez que o próprio ministro veio a público a cerca de uma semana “sinalizando”, que a Petrobras deveria reajustar o preço dos combustíveis.
Isso coloca em xeque essa “nova” política, pois a pressão inflacionária falou mais alto e da forma que estava economicamente para a Petrobras não era ruim. No 4T24 a empresa reportou um prejuízo bilionário, e o produto dela estando acima do mercado internacional não é ruim, já que a Petrobras importa uma parte do diesel que comercializa, e importando mais barato e vendendo mais caro no mercado interno, ajuda a impulsionar o seu resultado financeiro.
Um outro ponto importante, é quando analisamos a gasolina que hoje está muito abaixo do mercado internacional: “Porque não houve uma alta, já que o cenário da forma que está é prejudicial no contexto econômico para empresa?”

A resposta é simples, porque subir gasolina agora prejudicaria ainda mais os dados de inflação, e para imagem do governo não é nada bom.
Quando vamos analisar as demais refinarias, que seguem exatamente o PPI, há um comportamento de queda, principalmente por conta da retração das cotações do barril do petróleo no mercado internacional e pelo recuo do dólar no período.



O fato é que de Fev/25 a Mar/25 o cenário foi favorável para uma redução. Mas agora estamos vendo o barril subir nos últimos dias, principalmente com o tarifaço dos Estados Unidos, vamos acompanhar como será o comportamento da Petrobras. Caso o cenário se descole muito internamente, será que a Petrobras irá seguir o viés econômico ou os interesses políticos?
Por: Murilo Barco • Diretor Comercial
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