Se algum dia você comprador ou dono de posto de combustível ouviu o seguinte argumento de algum fornecedor dizendo: “Precisamos aumentar o seu preço de compra de diesel por causa da defasagem do diesel importado, está mais caro que o da Petrobras”, com certeza e infelizmente, você está deixando margem indevida para o seu “parceiro” no suprimento de combustíveis.
Entenda porque:
> ARBITRAGEM NÃO É O CUSTO EFETIVO ADQUIRIDO
Segundo o conceito econômico, arbitragem é: “quando uma mesma ação apresenta um valor menor em uma Bolsa de Valores em relação a outra, de outro país, por exemplo, um investidor atento pode comprar pelo preço mais baixo e vender imediatamente na Bolsa mais cara, obtendo um lucro rápido”, o conceito chave aqui é PODE COMPRAR, no sentido de possibilidade, não quer dizer que o fornecedor comprará ou comprou, por isso a arbitragem é simplesmente um instrumento de análise econômica.
Exemplo prático, você vai no supermercado X e o refrigerante custa R$10,00, mas ao analisar em outro supermercado Y você encontra o mesmo refrigerante custando R$8,00, isso quer dizer que a arbitragem é R$ -2,00 para você que cliente, e você obviamente irá comprar pelo menor valor.
A mesma lógica acontece para os combustíveis, imagina você como distribuidora analisando a opção de comprar o diesel R$0,50/L mais barato no mercado nacional em comparação com o mercado internacional, você vai naturalmente diminuir drasticamente o seu consumo de diesel importado e focar a sua estratégia de suprimento o máximo pelo diesel nacional, ou até mesmo buscar opções importadas mais baratas como o Diesel Russo.
O problema é que comercialmente, o argumento da defasagem parece ser inquestionável quando você comprador houve isso do seu fornecedor, pois realmente é um fato não é uma mentira, mas você precisa entender de uma vez por todas que a ARBITRAGEM não é o CUSTO EFETIVO ADQUIRIDO DO DIESEL IMPORTADO, é apenas um indicador econômico baseado muitas vezes em um único mercado de comparação como dos EUA, e que não reflete o valor realmente adquirido do produto pelo fornecedor.
> ENTENDA O CUSTO EFETIVO DE IMPORTAÇÃO
Para saber quanto realmente é o custo efetivo do Diesel Importado, é necessário basear-se em dados públicos de quanto é o valor em R$/L do produto importado em cada porto de entrega ou base do país, e esse é o papel que a ANP desempenha enquanto reguladora do mercado, inclusive os dados públicos consideram todos os custos logísticos inerentes à importação, de qualquer fonte internacional que tenha chegado ao Brasil.
Além disso, é preciso considerar o fator volumétrico de importação, ou seja, quanto é a importação de diesel no Brasil, para a partir disso entender qual é o valor de reajuste correto gerado pelo impacto da variação do petróleo, dólar, frete, que é traduzido no Preço de Paridade de Importação.
O Brasil importou em média 30% de Diesel S10 segundo dados da ANP de 2023, só que metade disso foi importado pela própria Petrobras. Portanto, as distribuidoras e importadoras foram responsáveis por 15% da importação de diesel no Brasil em 2023, mas é óbvio que isso é sazonal e muda conforme a dinâmica do mercado.
Exercício prático:
Suponhamos que pela arbitragem a defasagem na SEMANA1 do diesel importado para diesel nacional esteja em R$0,00/L, sendo o custo efetivo do diesel importado em R$3,00/L.
Mas, por causa de uma disparada do dólar e do petróleo, a arbitragem segue a volatilidade e na SEMANA2 sobe para 0,30/L, ou seja, olhando só PPI a defasagem antes nula subiu para R$ +0,30/L. Entretanto, os custos efetivos de importação apurados considerando todas as fontes adquiridas de diesel importado resultaram no novo preço de importação de R$3,10/L.
Aqui é onde começa a confusão, alguém copia e cola para você um relatório de arbitragem e informa que precisa aumentar o seu preço de aquisição de Diesel S10 em R$0,30/L, porque o relatório mostra que os preços nacionais estão defasados nessa grandeza, sem considerar preço efetivo nem o volume de importação, se é que ela esteja importando, mas que pela “parceria”, vai repassar apenas, R$0,10/L.
Você olha isso e se vislumbra, pois parece que é algo muito melhor do que deveria.
Mas você sabia que neste exemplo, o impacto correto do custo efetivo do diesel importado pelo volume de importação de 15% seria de apenas R$0,0150/L, ou seja, 95% menor do que a arbitragem apresenta, e 85% menor do que o repasse realizado pelo fornecedor?
Você entendeu como a arbitragem seguida de uma narrativa te engana?
Arbitragem não é custo efetivo, é simplesmente um indicador econômico fundamental para refinarias e importadoras, um termômetro que busca simplesmente comparar níveis de preços com outros mercados, não significa que houve compra com “tal” defasagem, e sem considerar o volume de importação, isso se torna um erro brutal para o seu negócio e para a qualidade dos preços de compra do diesel em seu posto, ou empresa de logística.
Portanto, não seja enganado, e muito cuidado com as justificativas oportunistas.
Você já percebeu que quando a arbitragem é negativa, ou seja, o produto importado está mais barato que o nacional nenhum fornecedor te liga para te dar uma boa notícia?
O resultado financeiro do big three da distribuição prova o quanto essa estratégia comercial pode ser benéfica para os seus acionistas, pois todo e qualquer repasse de preço que não é custo efetivo se torna margem, mas pode custar a sobrevivência do seu negócio e o emprego de muitas pessoas.
Argumentos como “O Dólar Subiu” , “Petróleo Subiu”, não são simplesmente definidores do real impacto devido ao reajuste sobre os seus preços de compra. Os impactos do câmbio e do petróleo possuem um efeito diferente sobre o custo efetivo de produção do derivado.
Portanto, é hora de você mudar essa relação com seu fornecedor, e nós da VPricing somos uma empresa especializada na gestão de todos os custos e preços de combustíveis no Brasil. Isso mesmo, através do nosso sistema e nossos consultores você tem respaldo diário de informações, dados, cálculos para estar constantemente blindado contra narrativas e reajustes indevidos que causam prejuízos para o seu negócio.
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Por: Bruno Valêncio • Founder
VPrcing