Atualmente a Petrobras vive sobre o dilema da paridade, disparidade, defasagem, prejuízo, chame da forma que você preferir, acerca dos preços praticados em suas refinarias para comercialização principalmente do Óleo Diesel A.
Para te ajudar a entender o que está acontecendo sem viés e de forma abrangente, vamos separar o assunto em três perguntas factuais:
1 – Os preços do Diesel e da Gasolina estão realmente defasados nas refinarias da Petrobras?
Sim, isso é matemática básica. Considere como exemplo a cotação do petróleo a US$100,00/bpd, com o dólar a R$5,00 este barril nacionalizado custava R$500,00, agora com o dólar R$ 6,00 o mesmo barril custa R$600,00, ou seja, 20% de aumento só pela desvalorização do Real, o que impacta todos os produtos que são obtidos a partir da commodity, no caso os combustíveis.
Entretanto, é importante ponderar que desde que a Petrobras alterou sua política de preços em 16/Maio/2023 para uma estratégia comercial de preços, o que antes era calculado apenas pelo PPI (Preço de Paridade Internacional) passou então adicionalmente a serem consideradas questões de participação de mercado, otimização de ativos e rentabilidade do negócio Petrobras que não abrange só o refino, com um compromisso público da Petrobras em ser sempre a melhor opção de compra para o mercado, e evitar a volatilidade de preços ao consumidor final.
Portanto, a Petrobras assumiu a responsabilidade de manter os seus preços defasados em relação ao PPI, isso é público. Para piorar um pouco, fatores como otimização de ativos ou a rentabilidade corrente dos negócios são informações privadas da empresa, e estão servindo como compensadores ao PPI. Isso quer dizer que possivelmente se pelo PPI básico a defasagem é de 15%, pelos cálculos da Petrobras pode ser uma defasagem bem menor, e ninguém no mercado sabe quais são esses cálculos compensatórios utilizados pela Petrobras.
Usando o exemplo da elevação do câmbio para R$6,00 em 2025, a Petrobras é exportadora de petróleo e os recentes aumentos das cotações do petróleo e do câmbio melhoram a rentabilidade nas exportações de petróleo extraídos pela estatal também, ou seja, o que prejudica o refino melhora na extração.
Para os importadores essa postura da Petrobras frente ao PPI básico é de causar desespero, e não é por menos.
Me diga:
Quem vai importar combustível sabendo que no Brasil tem uma fonte mais segura de entrega do mesmo produto, comercializado a preços R$0,50/L mais baratos que o internacional?
Sabemos que por questões de produção a importação vai sempre existir mesmo por custo maior, e principalmente para o Diesel S10. Mas, o volume de aquisição de produtos importados se reduz drasticamente para quantidades extremamente necessárias, penalizando financeiramente os importadores.
2 – A Petrobras está sofrendo prejuízos, e deve aumentar os preços dos combustíveis?
Como exposto acima, existe uma balança econômica sendo utilizada entre as várias atividades econômicas da Petrobras para calcular a defasagem dos preços dos combustíveis comercializados, e o melhor termo frente a todos os últimos resultados financeiros publicados pela empresa seria de que a Petrobras está deixando de ganhar resultado financeiro, um cenário de prejuízo ainda não é notado de fato nos balanços.
Mas como tudo tem limite, se o dólar continuar nesse patamar, um reajuste é necessário pela simples lógica econômica, é natural, não tem nada de errado em reajustar, pois é uma consequência de um cenário econômico vivido.
São mais de 365 dias sem reajustes sobre os preços do diesel, isso denota que há algum tipo de controle sobre os preços, não lhe parece? Isso não é bom para o mercado, ou para o Brasil.
Obviamente o governo é quem não vai gostar do impacto que um reajuste vai gerar sobre a inflação e o bolso do brasileiro, mas os importadores estarão mais aliviados e podendo competir de forma mais justa.
3 – Em que devo acreditar então?
Quando você lê as frases abaixo, qual o sentimento que lhe ocorre?
- “Os preços dos combustíveis comercializados pela Petrobras estão defasados em 20%”
- “A Petrobras mantém os preços dos combustíveis 20% mais baratos que os importados”
As duas sentenças expressam exatamente a mesma essência, mas de formas diferentes. Talvez com o primeiro exemplo o seu sentimento ao ler tenha sido de algo ruim, e o segundo seja de algo normal ou bom.
As narrativas são as mais diversas, e narrativas buscam atender os interesses do narrador, e esse é o tipo de critério que você como leitor precisa ter ao observar uma notícia sobre este tema, olhando quem está comentando o assunto, quais os interesses diversos podem incorrer sobre a narrativa.
Do ponto de vista do consumidor final, está tudo certo com os combustíveis, não precisam de mais um aumento de custo para arcar.
Do ponto de vista econômico, essa situação é errada, vai contra princípios básicos e lógicos da economia, causando efeitos negativos em investimentos no setor.
Do ponto de vista do importador, como competir com uma empresa que não segue a lógica mundial do PPI?
Se baseie em dados e fatos, busque olhar a situação de forma abrangente para além do que está acontecendo agora.
Questione por exemplo:
Há quanto tempo não é praticado um reajuste pela Petrobras?
Qual a variação do barril do petróleo e do câmbio desde o último reajuste praticado pela Petrobras?
Devemos ter responsabilidade em analisar a situação, e saber assimilar as narrativas e interesses.
Mas não posso deixar de comentar sobre o fato da péssima comunicação da Petrobras, a estatal erra e muito em não ser transparente quanto ao seu cálculo de PPI, não gera entendimento para público, deixando assim pontas soltas para qualquer tipo de narrativa acerca da sua postura em relação aos preços dos combustíveis.
Não seria melhor comunicar de forma completa, abrangente, sem meias palavras, de forma direta o que está acontecendo com os preços dos combustíveis e qual sua forma de pensar a defasagem?
A Petrobras comete o mesmo erro do atual governo federal, e de igual forma perde credibilidade no mercado, assim como acontece com a situação fiscal do Brasil.
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Por: Bruno Valêncio • Founder
VPrcing.