Desde o final de novembro/24, temos visto o dólar atingir valores históricos fechando na data de ontem (18/12), a impressionantes R$6,26. As perspectivas não são das melhores, visto o cenário econômico/fiscal, pelo qual o Brasil tem pela frente.
E porque estamos vendo o dólar subir dia após dia, o culpado será que é realmente o mercado?
Em um breve resumo, quem financia o governo é o mercado, e quem é o mercado? Sou eu e você, que como forma de proteger seu dinheiro e fazer economia, investe parte de seus rendimentos, com o objetivo de no futuro ter uma reserva de capital, para sua segurança e de seus entes queridos. Esse dinheiro que investimos, ele é um empréstimo, e como em qualquer negócio, quanto maior o risco, mais você tende a pedir um retorno maior, para poder deixar seu dinheiro ali.
Como estamos vendo um governo gastador, que não tem austeridade fiscal, que gasta mais do que arrecada, que mesmo batendo recorde de arrecadação, a conta não fecha. Então quem investe, empresta seu dinheiro, pedindo um retorno maior por ele. E para ajudar temos um país com uma extrema insegurança jurídica, onde até o passado é incerto, isso tem feito o dinheiro de investidores sair do nosso país e procurar países com economias mais sólidas e seguras, fazendo com que o dólar dispare nas suas cotações.
E qual a consequência disso para o ano que vem se aproximando?
Olhando para nosso segmento, que é o de combustíveis, já vimos o reflexo disso principalmente no biodiesel e no diesel importado, como parte da produção do biodiesel tem seus valores dolarizados, os custos de produção tendem a subir, e consequentemente o preço de venda, impactando diretamente no preço final do diesel, pois atualmente temos 14% de biodiesel na mistura do diesel comercializado. E também temos uma dependência de 33% de diesel importado, e com o dólar alto, importar fica mais caro, e regiões que têm uma dependência maior do diesel importado, como por exemplo o Maranhão e Paraná, sentirão o reflexo de forma muito mais intensa.
Então o discurso, de que eu não compro em dólar, pois ganho em real, é um discurso raso, pois nosso economia é globalizada, e sim o dólar afeta diretamente o custo de vida, principalmente da população mais pobre, pois combustível subindo, que o que faz a economia se movimentar, faz com que o custo de transporte fique mais caro, consequentemente, o custo dos alimentos, diminuindo o poder de compra, onde com o mesmo valores, compramos o mesmo produto em menor quantidade.
E o nosso segmento ele é o primeiro a ser afetado de forma direta, pois ele é a locomotiva do país, e claro um aumento expressivo, tende a fazer com que o consumo diminua, pois quem antes utiliza seu carro para ir ao trabalho, ao shopping, viajar, irá substituir o modal ou até mesmo deixar de utilizar, fazendo com que o consumo caia, e consumo caindo, e menos arrecadação, menos arrecadação é menos dinheiro em caixa para o governo, e menos dinheiro em caixa aumenta o risco do país não conseguir pagar suas contas, e esse risco aumentando, o custo do dinheiro para o governo fica mais caro.
Temos apenas um caminho a ser seguido, cortar gastos e o que for gastar, gastar de forma inteligente.
O Ano de 2025 está batendo à porta, e teremos um ano bem desafiador pela frente, com alterações de impostos estaduais para gasolina e diesel, aumento de mistura de biodiesel, e com o dólar alto o impacto deve ser de mais alta, fazendo com que o ciclo da economia se torne mais difícil.
Como vimos na pandemia, onde precisamos aprender um novo normal, será que o dólar acima dos R$6,00, será o nosso novo normal?
Veremos……